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Keira Knightley fala sobre o seu novo papel no filme de John Maybury, The Edge of Love e os vários desafios do papel, incluindo encontrar a sua voz para cantar.
Também fala de toda a pesquisa que fez para a sua personagem da vida real, aperfeiçoando o seu sotaque galês e se foi estranho trabalhar com um guião/roteiro que foi escrito pela sua mãe!
Teve de interferir para convencer John Maybury [director] a fazer parte do projecto?
Keira: Eu trabalhei com o John em The Jacket e eu acho que ele é um director extraordinário. Na verdade foi a Shar [a sua mãe, Sharman] que me mostrou Love is the Devil [um filme de John Maybury] antes de eu fazer The Jacket. Eu li os primeiros esboços da peça quando eu estava a trabalhar em The Jacket, e nós ficamos tão apaixonadas por ele que pensamos que era a única pessoa que devia dirigir isto! Nós escrevemos poemas para ele, mandamos champagne e bolos. Finalmente, quatro anos mais tarde ele leu.
Qual foi o maior desafio deste projecto para si?
Keira: Foi muito bom trabalhar em algo que foi tão profundo, e pequeno. É muito raro conseguir um guião de um filme que tenha um diálogo tão bom, por isso foi um verdadeiro prazer. Muitas das vezes estamos nos sets de filmagens a lutar para conseguir arranjar uma maneira de dizer as palavras, ao passo que neste nós já estávamos noutro nível.
Veio da relação que todos vocês têm?
Keira: Não podemos fingir a cordialidade. Podemos fingir a luxúria, inveja, ódio, mas a cordialidade genuína, eu acho que não podemos fingir. Foi óptimo que nos tenhamos relacionado todos tão bem, passamos uns bons tempos na mesma casa, foi fantástico. Nós sentimo-nos como uma unidade, por isso quer dizer que quando estamos a fazer algo incrivelmente profundo, sentimos seguros para tentar fazer as coisas.
Com que extensibilidade é que fez a pesquisa sobre a sua personagem, Vera?
Keira: Eu não baseei a minha actuação na Vera da vida real. Eu segui por completo o que a Shar tinha colocado no guião. O que foi fantástico foi ter o apoio dos membros da família - Rebecca Gilbertson [neta de Killicks] estava lá todos os dias, e foi espantoso para eles dizerem a nós: “Avancem. Façam uma ficção. Façam uma boa história.” E como disse Shar, é uma ficção, e a minha caracterização é particularmente isso, não é baseada na realidade.
Como se preparou para cantar? Estava assustada?
Keira: Eu passei por um treino de voz. Eu estava completamente aterrorizada. Eu pensei que fosse ter um colapso e os primeiros dois takes eu soava como um rapaz na puberdade. Eu não imaginava que eu teria de fazer aquilo ao vivo. Eu fui a um estúdio e gravei antecipadamente, por isso eu pensava que iria apenas fazer mímica para o playback. De manhã, quando estavam 100 figurantes, John disse: “Nós faremos ao vivo.” Eu nunca estive tão aterrorizada na minha vida. O que foi útil foi que o John disse: “Ela está a cantar numa estação subterrânea, ela não precisa de ser completamente brilhante.” por isso eu pensei que se eu errasse numa nota, posso dizer que foi uma escolha da personagem.
Como é que aperfeiçoou o seu sotaque galês?
Keira: [Passar] 18 semanas em Swansea ajudou! Nós tínhamos um treinador de voz muito bom. Metade da família da minha mãe é galega. Eu lembro-me de quando era criança ela costumava ler para mim, e as bruxas e os feiticeiros tinham sempre um sotaque galês nos livros, por isso eu acho que comecei por aí na verdade.
Foi estranho trabalhar com um guião da sua mãe?
Keira: Não, foi tudo muito natural. Eu vivo com uma escritora, e cresci com as suas palavras, o seu tipo de fantasias, eu vi basicamente todas as peças dela, e estive em várias salas de ensaio, por isso foi tudo muito natural e fácil. Foi óptimo ter uma oportunidade de fazer isso profissionalmente também. Antes eu não sabia que ela era obcecada por Dylan Thomas. Ela estava a trabalhar neste projecto durante bastante tempo, mas ela nunca me leu Under Milk Wood [peça escrita por Dylan Thomas] nem nada.
O que pensa sobre o ponto de vista das pessoas que acham que o filme apresenta uma representação pouco lisonjeira de Dylan Thomas?
Keira: Algumas pessoas dizem que ele é maldoso, é uma criança, e outras pessoas dizem que é um pouco diabólico. Eu acho que não devemos falar assim sobre ele, se esse é o seu ponto de vista, óptimo, mas é bom saber que há outras pessoas que pensam de maneira diferente.
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